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Rebeubeu, Pardais ao ninho

Rebeubeu, Pardais ao ninho

Junho 25, 2019




Comentador de notícias na internet, diz-me, para quem falas tu? Para os líderes do mundo? Para os visados nas notícias? Para os jornalistas? Ou, como todos nós em algum momento da vida, precisas só de um grito no vazio?


Comentador de notícias na internet, diz-me, o que pretendes tu? Mudar o mundo? Iluminar os que lendo as mesmas notícias que tu, não lêem o mesmo? Provar com a tua retórica tudo aquilo que a ciência, a história ou psicologia não demonstram?


Comentador de notícias na internet e, presumo eu, ávido leitor de jornais online, porque escreves assim? Só lês as “gordas”, ignoras os verbos, confundes os cês com os esses?


Comentador de notícias na internet, diz-me e prometo, prometo que não deixarei, também eu, cair em saco roto as tuas respostas. Prometo dar-te uma palmadinha nas costas, quiçá mesmo um abraço, se me responderes a estas 3 perguntas. Quem és tu, Comentador de notícias na internet? De onde vens? Quem te fez mal? 


Junho 25, 2019


Em criança, Rebeubéu dizia que queria ser cantora de ópera. Nunca cantou, nunca tentou cantar, mas achava já que poderia ser, simplesmente, o que lhe apetecesse. O expoente máximo do desafio do trabalho ao talento.
Ainda hoje deseja que assim o seja. Fazer o que lhe apetece. Trabalhar com prazer, comer sem engordar, gastar dinheiro sem o contar.

Sempre foi uma eterna romântica. Ficou muitos anos solteira, não por não acreditar. Por acreditar demasiado. Acreditava nesses amores maiores que se fazem esperar. Ensinara-lho Gabriel Garcia Marques, no livro que tantas vezes leu e releu. Não gostava de Firmino, a personagem principal. Desagradava-lhe a forma como se entretinha de forma fútil e superficial com tantas outras mulheres, mas enternecia-a esse final, o da espera que compensava. O do amor maior.

Talvez essa espera ou talvez as crenças, fizeram de si uma piegas. Uma lamechas. E esse, esse é o seu maior segredo. Como se esse segredo a despisse, vulnerável ao preconceito. 

Talvez essa espera a tenha desnorteado. Talvez tenha sido só a vida a fazê-lo. Chegou aqui sem saber como. Ela, que em miúda, queria cantar ópera e não chegar a adulta. Acima dos 25 anos já todos eram velhos. E hoje, a 342 dias de fazer 40, não acredita, não se revê. Falta-lhe menos de um ano, mas ainda tantos dias. Os suficientes para acreditar que o tempo vai parar e que nunca será tão “velha”, mas será um dia, tudo aquilo que lhe apetecer.

Junho 19, 2019



Se me perguntarem o que mais gosto em Lisboa, não falarei da sua zona histórica. As suas ruas pitorescas, num sobe e desce, com dezenas de degraus que levam todos ao castelo e à paisagem sobre uma Lisboa de perder de vista. Não falarei nos varais de roupa, nas senhoras que falam de janela a janela, nos azulejos que que se misturam com as artes urbanas do Vhils e outros que tanto. 



Se me perguntarem o que mais gosto em Lisboa, não falarei na beira rio onde sempre se sente uma brisa. Onde tocam música ao final do dia, onde se encontram museus modernos, de onde se vêm embarcações de tosos os tipos, onde gaivotas sem medos nos pedem comida.


Se me perguntarem o que mais gosto em Lisboa, não falarei da luz, das cores, dos eléctricos tão característicos ou dos monumentos tão grandiosos e bonitos.


Se me perguntarem o que mais gosto em Lisboa, não será do movimento dos turistas no Chiado nem da calmaria dos bairros tradicionais, onde ainda se fala com os vizinhos e nos tratam pelo nome na mercearia da esquina.



Se me perguntarem que mais gosto em Lisboa, não mencionarei a comida, nem as esplanadas. O peixe ou o marisco fresco no Verão, as castanhas no Inverno, os preços, as tascas que mais que um restaurante barato, nos contam histórias das famílias que os gerem enquanto nos tentam encher a barriga, os restaurantes tradicionais no meio de outros de tantas e tantas nacionalidades.



Se me perguntarem o que mais gosto em Lisboa falarei desta forma de ver levar a vida. Esta forma que temos de disfrutar o antigo e o moderno. De receber todos de braços abertos e tentar sempre falar as suas línguas, das histórias e dos autores, dos artistas e dos escritores.
Se me perguntarem que mais gosto em Lisboa, poderei falar de mil e uma coisas, mas falarei sempre de uma: as pessoas.






Junho 11, 2019



Dizem que a forma como experienciamos a comida depende de dois factores: a textura e o cheiro. E é por isso que o hambúrguer crocante e cremoso de caranguejo do restaurante Seen me conquistou. O panado, o bechamel e os largos pedaços de caranguejo em cima de um picadinho de maçã claramente despertaram esses meus 2 sentidos, o tato e o olfato. 


Seen, que significa visto em inglês é, segundo dizem, o novo restaurante de Lisboa para ver e ser visto. Está na moda, dizem. No entanto, a fraca iluminação, a mim, que usei a lanterna do telemóvel para ler o menu, pareceu-me proporcionar o oposto. Com aquela luz (ou falta dela) pareceu-me o sítio ideal para não ser visto. Mas esta fraca iluminação traz uma vantagem:  à noite, enaltece a vista brutal que o restaurante, no topo do hotel X, proporciona. Ou seja, há duas boas razões para lá ir: a vista e o hambúrguer de caranguejo. O bar talvez seja uma terceira, já que a forma como está disposto à volta de uma árvore torna-o diferente, original e giro. 

Fui a este restaurante em grupo, o que me deu oportunidade de partilhar entradas e experimentar várias coisas. Infelizmente, os croquetes de carne eram demasiado secos e falhavam nesta coisa da textura. O sabor (ou será cheiro) não sendo mau, não era nada de extraordinário. Já o carpaccio de polvo não tem como falhar e ganhou o consenso de todos. 



Como prato principal fiquei-me pelo tal hambúrguer. Soube-me tão bem que não quis desperdiçar espaço para provar outras coisas. Depois, também não sobrou espaço para sobremesa. 

                        


Os restantes comensais queixaram-se da relação preço-qualidade e de termos sido postos na zona de fumadores, onde, entre nós e a vista, existia uma barreira de plástico transparente. Tenho que concordar que tal vista merecia uma visão mais clara. No fundo era como se o tal plástico, provavelmente para proteger de ventos mais agrestes, lhe retirasse a sensação de autenticidade. Ainda assim, eu acho que vale muito a pena. Pelo hambúrguer, o preço e a vista. 



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