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Rebeubeu, Pardais ao ninho

Rebeubeu, Pardais ao ninho

Janeiro 02, 2020

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2020 será o ano de escrita.

Sempre quis escrever, mas dizer-se que se gosta, quando só se escreve em noites de insónia ou quando bate inspiração, é fácil. Escrever, escrever, a sério, seja lá o que isso for, todos os dias, com ou sem inspiração é toda uma outra história.
Em miúda dizia que queria ser jornalista ou psicóloga. Achava eu que eram áreas totalmente diferentes quando, na verdade, condição humana e as suas histórias eram, e são, os meus reais interesses. Uma não vive sem a outra, a outra não vive sem uma.
Como sou a rainha da procrastinação, nunca escrevi. Nunca escrevi mais que uns posts aqui e ali num blog cujo o conteúdo, a falta de rigor e os erros ortográficos hoje me envergonham.
Há quem procrastine com redes sociais, filmes, sestas e tudo o que servir de desculpa para não se fazer aquilo que, de tanto se querer, se tem medo.
Eu fui mais além e às sestas juntei um curso em gestão, 14 anos em multinacionais americanas, que por serem multinacionais, mas simultaneamente americanas, me faziam sentir importante, como se o que eu estivesse a fazer importasse, mesmo que no dia a dia fosse casa-trabalho, trabalho-casa, entre folhas de Excel e mensagens entre colegas que se queixavam o dia inteiro. Não contente com tamanha procrastinação, ainda fui tirar o curso de life coach e durante dois anos organizei um ciclo de palestras mensal. Uma procrastinação mais disfarçada de criatividade.
Gosto muito de contar histórias. E gosto muito de ouvir, ler, imaginar, viver e assistir a histórias. A quantidade de epifanias que os livros já me deram é algo que sonho um dia conseguir replicar. Nem que seja a uma única pessoa.
Quando comecei a trabalhar, há cerca de 16 anos, já os chefes falavam em 2020. A estratégia para 2020, os objetivos para 2020, os números que tinham que crescer, o consumo que tinha que duplicar, o investimento que tinha que lucrar e os custos que tinham que descer. 2020 parecia-me um futuro tão longínquo que parecia fácil. Parecia fácil conseguir todas essas coisas profissionais e, ainda, as pessoais. Mas 2020 chegou hoje. Muito mais rápido do que eu previa. Os objetivos não. Nem os meus, nem os das multinacionais que usei para procrastinar.
Deixou de haver amanhã e, por isso, hoje é o dia e este é o ano. O da escrita.

 

 

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