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Rebeubeu, Pardais ao ninho

Rebeubeu, Pardais ao ninho

Junho 19, 2019



Se me perguntarem o que mais gosto em Lisboa, não falarei da sua zona histórica. As suas ruas pitorescas, num sobe e desce, com dezenas de degraus que levam todos ao castelo e à paisagem sobre uma Lisboa de perder de vista. Não falarei nos varais de roupa, nas senhoras que falam de janela a janela, nos azulejos que que se misturam com as artes urbanas do Vhils e outros que tanto. 



Se me perguntarem o que mais gosto em Lisboa, não falarei na beira rio onde sempre se sente uma brisa. Onde tocam música ao final do dia, onde se encontram museus modernos, de onde se vêm embarcações de tosos os tipos, onde gaivotas sem medos nos pedem comida.


Se me perguntarem o que mais gosto em Lisboa, não falarei da luz, das cores, dos eléctricos tão característicos ou dos monumentos tão grandiosos e bonitos.


Se me perguntarem o que mais gosto em Lisboa, não será do movimento dos turistas no Chiado nem da calmaria dos bairros tradicionais, onde ainda se fala com os vizinhos e nos tratam pelo nome na mercearia da esquina.



Se me perguntarem que mais gosto em Lisboa, não mencionarei a comida, nem as esplanadas. O peixe ou o marisco fresco no Verão, as castanhas no Inverno, os preços, as tascas que mais que um restaurante barato, nos contam histórias das famílias que os gerem enquanto nos tentam encher a barriga, os restaurantes tradicionais no meio de outros de tantas e tantas nacionalidades.



Se me perguntarem o que mais gosto em Lisboa falarei desta forma de ver levar a vida. Esta forma que temos de disfrutar o antigo e o moderno. De receber todos de braços abertos e tentar sempre falar as suas línguas, das histórias e dos autores, dos artistas e dos escritores.
Se me perguntarem que mais gosto em Lisboa, poderei falar de mil e uma coisas, mas falarei sempre de uma: as pessoas.






Junho 11, 2019



Dizem que a forma como experienciamos a comida depende de dois factores: a textura e o cheiro. E é por isso que o hambúrguer crocante e cremoso de caranguejo do restaurante Seen me conquistou. O panado, o bechamel e os largos pedaços de caranguejo em cima de um picadinho de maçã claramente despertaram esses meus 2 sentidos, o tato e o olfato. 


Seen, que significa visto em inglês é, segundo dizem, o novo restaurante de Lisboa para ver e ser visto. Está na moda, dizem. No entanto, a fraca iluminação, a mim, que usei a lanterna do telemóvel para ler o menu, pareceu-me proporcionar o oposto. Com aquela luz (ou falta dela) pareceu-me o sítio ideal para não ser visto. Mas esta fraca iluminação traz uma vantagem:  à noite, enaltece a vista brutal que o restaurante, no topo do hotel X, proporciona. Ou seja, há duas boas razões para lá ir: a vista e o hambúrguer de caranguejo. O bar talvez seja uma terceira, já que a forma como está disposto à volta de uma árvore torna-o diferente, original e giro. 

Fui a este restaurante em grupo, o que me deu oportunidade de partilhar entradas e experimentar várias coisas. Infelizmente, os croquetes de carne eram demasiado secos e falhavam nesta coisa da textura. O sabor (ou será cheiro) não sendo mau, não era nada de extraordinário. Já o carpaccio de polvo não tem como falhar e ganhou o consenso de todos. 



Como prato principal fiquei-me pelo tal hambúrguer. Soube-me tão bem que não quis desperdiçar espaço para provar outras coisas. Depois, também não sobrou espaço para sobremesa. 

                        


Os restantes comensais queixaram-se da relação preço-qualidade e de termos sido postos na zona de fumadores, onde, entre nós e a vista, existia uma barreira de plástico transparente. Tenho que concordar que tal vista merecia uma visão mais clara. No fundo era como se o tal plástico, provavelmente para proteger de ventos mais agrestes, lhe retirasse a sensação de autenticidade. Ainda assim, eu acho que vale muito a pena. Pelo hambúrguer, o preço e a vista. 



Seen Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Maio 28, 2019


Pastelaria Batalha é uma lufada de ar fresco em pleno Chiado. São vários os motivos:
           ainda não sucumbiu às novas tendências hipsters, mantendo-se tradicional na sua oferta;
           Oferece pastelaria portuguesa tradicional e variada;
           No meio da azáfama do Chiado, consegue ser um local calmo, sem filas e sempre com uma mesa disponível num espaço agradavelmente decorado;
           Numa zona tão turística (e por isso com preços mais elevados) de Lisboa esta pastelaria mantém preços ao nível do poder de compra português.

Entrar na Pastelaria Batalha é, por si só, uma tentação. Descendo as suas escadinhas pitorescas, somos imediatamente brindados com um deleite para a vista e para o olfato. É impossível ficar indiferente à sua “montra” plena de pastelaria tradicional e ao cheiro tão característico dos ovos com açúcar. 



Pouco saberão, mas naquela montra encontram-se várias iguarias já premiadas. Uma única dentada no pastel de nata permite-nos perceber porquê. A massa estaladiça, fina e fresca é imbatível e, só por isso, este é o melhor pastel de nata que já provei. E olhem que já provei uns quantos, incluindo todos aqueles que, segundo opinião popular, competem para esse título. Para mim, ficam aquém do da Batalha.



Mas nem só de doçaria se faz esta pastelaria ou estes prémios. Quando visitei o espaço, num atarefado sábado, à tarde, fui rapidamente recebida e encaminhada para uma mesa, onde me foi disponibilizado o menu. São várias as opções, todas bastante acessíveis a nível de preço. Menu pequeno-almoço, brunch, almoço, sanduíche, etc. 



Estava com uma amiga e, depois de termos feito uma caminhada de 11 kms pelas colinas da nossa antiga Lisboa, apetecia-nos um menu reforçado. Por isso, escolhemos o menu pequeno-almoço, que consiste numa generosa tosta mista, acompanhada de sumo natural, uma bebida quente e um pastel de nata para finalizar. 
E assim descobrimos outro dos prémios atribuídos. O pão. Fresco, miolo fofo sem ser maçudo, côdea estaladiça como se quer. Impressionou-me a qualidade do fiambre, tantas vezes descurada em muitos outros espaços. A cereja no topo do bolo foram os orégãos no topo da tosta, que evidenciavam o sabor do queijo. Pequenos detalhes que fazem a diferença. 



Como não bebo café, como bebida quente escolhi o chocolate quente com caramelo e também neste caso fui surpreendida por um chocolate denso, espesso e cremoso. E saboroso, claro.

Pedi também o sumo de morango e framboesa, que foi servido com pedras de gelo à parte, para podermos juntar a gosto. Pontos para o cuidado no serviço.

Tenho vindo a cumprir um regime alimentar relativamente rígido, pelo que a simplicidade de uma tosta mista com um bom sumo natural e um pastel de nata era, na verdade, aquilo que precisava.

Até porque, como já escrevi aqui, se for para fazer batota na dieta, que seja com coisas que valham mesmo a pena. Esta foi, sem dúvida, uma delas. 



Pastelaria Batalha Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Maio 27, 2019

Procurava um restaurante que preenchesse três requisitos:

1   1. Que me permitisse não fugir muito à dieta;
2   2. Que tivesse várias opções de peixe ou vegetarianas para a minha companhia que não come carne;
3   3. Que impressionasse a dita companhia que é francesa e estava cá por passagem.




Foi desta forma que encontrei o Àgua pela barba, que provou não só preencher esses requisitos como proporcionar-me uma experiência gastronómica como há muito não tinha.

Resumo a experiência a 3 palavras: adorei, adorei, adorei. E segundo dizem, nem sequer provei os seus mais famosos pratos, por causa da dieta. Terei que voltar para provar o famoso risoto de lingueirão e, igualmente famosos, os tacos de peixe frito.

Desta vez, para duas pessoas, pedimos 2 entradas e um prato principal e foi mais que suficiente.

Começámos pela Burrata, que na verdade, foi o meu prato preferido. A burrata faz-se acompanhar por camarão, um molho que não sei identificar e pane carasau, um pão fininho e estaladiço, típico da Sardenha. O contraste de texturas, temperaturas e sabores resulta numa combinação que levou ao céu e melhor não consigo descrever. A frescura da burrata era irrepreensível e tenho a certeza que isso em muito contribui para a qualidade deste prato.




Avançámos para a segunda entrada, ovos verdes. Ovos verdes é uma receita bastante popular, em que ovos cozidos são envoltos em polme, recheados com a gema misturada com maionese, salsa, talvez atum, enfim, há várias combinações. Esta era especial por vários motivos. O tal polme era duma finura que a tornava estaladiça e por cima da mistura com gema trazia pedacinhos de atum crú, também este muito fresco. O único defeito desta entrada era ser composta por três metades de ovo quando eramos duas a dividir e duas com vontade de comer aquilo mil vezes.




Finalmente, veio o prato principal. O Polvo à Àgua pela barba. Com um polvo cozido no ponto, a grande novidade deste prato, para mi, foi o creme de grão. Uma pasta de grão que inclui aqui e ali grão frito. E já se deve ter percebido, eu gosto muito de coisas crocantes, no meio de texturas cremosas. 




Não provei sobremesas. A minha companhia disse que as canilhas também eram maravilhosas, mas fiquei-me pela foto e com a grande vontade de lá voltar para experimentar o resto do menu.







Água pela Barba Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Maio 24, 2019



Vou direta ao que interessa, os resultados desta minha saga com a Yes!Diet da Well's. Em menos de 4 semanas, perdi 4,7kg de gordura (no total foi menos por causa da porcaria da água que continuo a reter, mas o que interessa é mesmo a gordurinha). Perdi 10 cms de barriga e 5 de anca. Estou muito contente com os resultados, mas isto só prova aquilo que ninguém tinha coragem de me dizer. Devia parecer uma grávida de 7 meses.
A última semana foi dura. Não sei se por já estar a comer as mesmas coisas há tantos dias, se terá sido o facto de ter tido um casamento onde, obviamente, não cumpri a dieta, mas tinha fome sem vontade de comer aquelas coisas. Tentei ter algum cuidado no casamento. Não bebi álcool e só comi mesmo aquilo que gostava. Se é para correr o risco de ficar para sempre nas ancas que seja queijo. E não rabo de boi em redução de não sei o quê. A parte boa foi parecer que aquele queijo era o melhor que já tinha comido na vida. Ou era mesmo bom, ou esta dieta fez-me degustar tudo de uma forma completamente nova.

Hoje iniciei a segunda fase e estou eufórica. Estou eufórica porque passei a poder comer pão ao pequeno-almoço. E leite. 50 graminhas de pão escuro. Ontem, parecia Natal. Deitei-me desejosa de acordar só para o poder comer. O leite pode ser meio gordo. Segundo a nutricionista, a diferença entre magro e meio gordo é residual, o que foi muito bom saber. Bebi com café e adoçante e foi tãaaaao bom. Soube-me pela vida. E encheu. Encheu tanto que esta hora já devia ter comido o lanchinho da manhã, mas ainda me sinto a abarrotar com as 50 graminhas de pão e a caneca de leite. Gotta love pão.
Continuo cheia de medo da manutenção disto e que venha a ser uma daquelas pessoas que perde muito, mas depois ganha o dobro, mas, até ver, quantidades passaram a ter toda uma nova dimensão. Vamos ver.

Maio 15, 2019



A YesDiet! na WElls está na moda. Não há influencer, blogger, radialista que não a esteja a fazer. E eu fui na onda. E como alguém que está a afazer dieta, tenho lido muita coisa, mas na verdade tenho lido pouca coisa. Gostava de ler sobre a experiência, o dia a dia, as dificuldades e os sucessos. E por isso, venho contar o meu.

Porquê?
Em primeiro lugar, porque é que eu, defensora acérrima que uma alimentação saudável passa pela não restrição, mas sim pela variedade e por saber ser comedida e que não acredito em dietas rápidas, escolhi esta dieta? Porque estava desesperada. A roupa não me cabia e esta teoria servia muitas vezes para resvalar para um grandessíssimo prato de massa. Porque li que a dieta tinha alguma flexibilidade e cada um escolhe a “fase” que quer fazer. Porque não me pareceu tão restritiva como outras diretas conhecidas no mercado. Porque não me pareceu tão caro como muitas dessas outras dietas. Porque me agradou esta ideia de ter um mês sem cozinhar e sem ter que tomar mais decisões do que aquilo que vou hoje enfiar no micro-ondas. Finalmente, porque ia experimentar e se não gostasse, passada uma semana podia ir à minha vida.

A comida
Eu comecei pela fase 1, o que significa que como 90% de refeições da marca, já preparadas. Como disse anteriormente, as refeições principais, com exceção das saladas, é só pôr no micro-ondas e aquecer. Também há comidas daquelas dos pozinhos aos quais se juntam um ovo ou água ou as duas coisas, mas nós preferimos ir pelas refeições frescas. Experimentei uma vez essas refeições dos pozinhos. Uma omelete com ervas à qual só tive que juntar àgua. Fiquei com fome. De resto, as refeições são saborosas e enchem. Só não recomendo a salada de ovo que é, basicamente, um monte de ervas com um ovo que cabe na cova de um dente. Fico com fome. Já a de atum, muitas vezes, tenho dificuldade em terminar.  Adoro a sopa de frango, gosto da sopa de pescada e a tortilha (sobretudo a que leva paio) é fixe, mas ao longo do tempo, começa a enjoar. Não sou a maior fã dos wooks porque são adocicados, mas o João, que embarcou nesta aventura comigo, gosta.
Os snacks também são fixes. Sobretudo os chips de soja com barbecue. São ótimos e enchem. Eu gosto dos batidos e têm sido a minha solução para um pequeno-almoço mais rápido. O de chocolate traz bónus. Traz uns pedacinhos de amêndoa, que no total duvido que fazem uma amêndoa inteira, mas que me sabem pela vida. Os crackers também são muito bons e o queijo fresco com sal e pimenta marcham. Já as tostas parecem de cortiça. 
Também gosto muito das barras, mas, talvez isto seja demasiada info, talvez serviço público: fazem gases. São muito práticas, enfiam-se em qualquer bolso, sabem bem e enchem, mas eu evito-as por esse motivo.
A par com isto tudo, há os 10% por cento do supermercado. Nesta fase, podemos comer frutos vermelhos em pequena quantidade e acompanhar as refeições principais com alguns legumes. Lá em casa, fazemos um panelão com cogumelos e espinafres, que temperamos com sal e pimenta, às vezes com alho em pó e já está.

O preço

Comprar estas refeições todas sai mais caro que ir ao supermercado e prepará-las, mas ainda assim, mais barato que almoçar fora todos os dias e as consultas são bem mais baratas que a maior parte da nutricionista que há por aí. No final, acho que uma coisa compensa a outra, já que a primeira é gratuita e as restantes €7,5. È suposto, nesta primeira fase, as consultas serem semanais, mas dado que definimos que faríamos um mês desta fase, que podemos mandar mails com dúvidas e questões (que são respondidas de forma bastante rápida) e que aquilo está na moda e com poucas vagas, temos ido de 10 em 10 dias. Temos utilizado o código desses influencers todos que andam aí, o que também ajuda a aliviar a carteira. É só chegar lá e dizer “quero usar o desconto da influencer tal” e temos 10% de desconto em TUDO, inclusive a consulta.

O meu dia-a-dia
Como sou (era?) viciadíssima em massa e esta fase é pobre em hidratos de carbono, os primeiros dias não foram fáceis. Não sentia fome, mas sentia que faltava qualquer coisa e, ao final do dia, era menina para comer uma pratada de massa ou um balde de Nutella, se me a pusessem à frente. Também tive dores de cabeça. Nada de especial ou incapacitante. Sempre ao final dia, sentia uma moinha. Ao quarto dia já não sentia nada disto. Também levei algum tempo a perceber que eram as barritas que me provocavam gases, o que deu origem a alguns momentos dolorosos, de inchaço e, claro, inconvenientes. A pouco e pouco, fui aprendendo o que me deixava mais saciada e mais confortável, fui gerindo, por isso nunca sinto fome ou qualquer outro desconforto. Há dias que nem consigo comer tudo o que deveria/podia. Trago muita tralha para o escritório, mas as saladas já trazem um garfinho e azeite e vinagre, o resto são só os snacks, para não estar mais de 3 horas sem comer. O mais difícil é mesmo a vida social. Primeiro é difícil explicar que foi a tanga do “é só desta vez” que me trouxe a este descalabro, depois acabamos por recusar muitos convites. A semana passada fomos ter com uns amigos antes de um jantar e bebemos água, enquanto eles bebiam umas jolas. Viemos embora quando eles foram a um restaurante. Não é fácil. Mas é temporário. O grande desafio serão as próximas semanas em que temos casamentos, visitas de fora lá em casa e o diabo a quatro. Temos consulta amanhã, onde podermos pedir conselhos para ultrapassar/adaptar estes dias.

Os resultados

Nestas coisas já se sabe que os resultados podem depender muito da pessoa. Do metabolismo, da época do mês, do exercício, etc. No meu caso, na primeira semana, perdi 2,2 kg no total, 2,6kg de gordura. Retive água. Perdi 4 cms de cintura e bati palminhas às calças que voltaram a servir. Cumpri o plano à risca e não fiz exercício nenhum. Só umas caminhadas de 20 a 30 minutos.

Notas a acrescentar

Ao contrário do que já li por aí, não me impingiram nenhum suplemento. Sugeriram-me que magnésio podia ajudar às dores de cabeça nos primeiros dias. Também me disseram qual os melhores chás para a retenção de água. De hibiscos, de cavalinha e de centelha asiática, de preferência de ervas e não de saqueta, que depois comprei num supermercado. Estou viciada no de hibiscos, um pouco ácido, mas que se bebe bem fresquinho e que estou convencida que ajuda na situação provocada pelas barritas.

Mais alguém a fazer? Contem-me tudo!

Maio 13, 2019



Up to sushi, como o nome indica é um restaurante de sushi, mas poderia dizer-se que é o mais bem escondido tesouro da baixa.

Quando me falaram num all you can eat, ao lado do elevador de Santa Justa, assumi duas coisas: que estaria cheio de turistas e que seria caro. Não podia estar mais enganada.

Up to sushi, situado no primeiro andar do The Lift Hotel Boutique, oferece, entre outras opções, sushi à descrição, por €16,90, sem bebida.

Não há buffet, não há frango assado ou massa. Há um serviço de mesa bastante atencioso. Quem opta pelo “all you can eat”, aponta numa folhinha que lhe é dada ao escolher essa opção e faz uma cruz à frente daquilo que pretende. É lhe depois trazido a mesa um prato inacreditável como o que se vê na foto. Se ainda tiver fome, é só voltar a preencher a tal folhinha e entregar ao empregado. O processo pode repetir-se as vezes que se quiser, até não poder mais. 




A parte melhor é mesmo a relação preço-qualidade. Confesso que depois de saber o preço a qualidade me surpreendeu bastante pela positiva. Recomendo particularmente o sashimi especial que, o menu não explica, mas trata-se de atum braseado absolutamente delicioso. 


Outra surpresa, é o restaurante estar praticamente vazio, permitindo-nos conversar, disfrutar da música ambiente e, ainda, ter toda uma atenção especial em termos de serviço. Isto deve-se ao facto do restaurante ter aberto há um mês e ainda se manter por descobrir. 





Se o empratamento foi pautado por amores-perfeitos, amor-perfeito foi o sentimento que ali nasceu. Já voltei duas vezes e espero voltar muitas mais. 




Up to Sushi - Baixa Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Maio 10, 2019




“Dead to me” é a nova série sensação do Netflix. E é fácil perceber porquê. Lá em casa, foi necessário recorrer a muita disciplina para ficarmos com uma média de 3 episódios por dia e varrer aquilo em 3 dias e não num, que era o que nos apetecia.

Esta é história de uma viúva, cujo o marido morreu num acidente de atropelamento e fuga e a da amiga, que conhece num grupo de apoio ao luto. As duas, numa tentativa de descobrirem o culpado da trágica morte, levam-nos numa viagem em que o bem e mal se misturam. Enquanto assistimos ao desenrolar de uma amizade a formar-se, assistimos a uma ficção que nos mostra a complexidade que pode ser a vida. Que nos mostra que as coisas não são estanques, não são preto no branco e que, quando se conhecem as personagens a fundo, quando se conhecem as suas histórias e vivências, deixa de haver um bom e um vilão. Ou há um pouco dos dois em cada um de nós. 

Costumo dizer que, quando bem escrita, uma história pode fazer-nos torcer pelos maus da fita. Dead to me vai mais longe e faz-nos, também, sentir irritados com as vítimas. Nesta história, não há culpados nem inocentes e é impossível não nos identificarmos com isso.

Março 14, 2019


Há uma semanatomei uma importante decisão na minha vida. Decidi que toda a minha alimentaçãovai passar a basear-se na comida italiana. Isto porque descobri que comidaitaliana é massa, é pizza, é queijo, mas não só. Comida italiana é muito maisque isso.

Como é queninguém se pergunta porque é que os italianos, com este tipo de alimentação,não são gordos?

Eu descobri a respostaao aceitar o convite da Alessandra do The Sícula Project paraa abertura do seu novo espaço, o Santuário Cucina.  

Ao aceitar esteconvite, não fazia ideia que estava a aceitar o convite para ir a um dos sítiosmais bonitos de Lisboa, para conviver com um grupo de pessoas muito interessantes,empreendedoras e originais e para uma das melhores refeições da minha vida.

 

Passo a explicar,a Alessandra é uma italiana que cozinhou quase toda a sua vida, masrecentemente decidiu dedicar-se a esta sua arte de forma profissional. Tiroucursos, fez workshops e, constantemente, experimenta ingredientes, combinaçõese temperos. Depois, passa a palavra e ensina tudo isto nos workshops queorganiza.  

Veio para Lisboa,bateu a várias portas e acabou a gerir este espaço. O Santuario Cucina ondeorganiza workshops, supperclubs ou aluga o espaço para eventos. Cozinhaincluída.  

Recebeu-me nesteespaço minimalista com um cocktail à base de vinho branco. Fresco, leve ebubly. 

 Apresentou-me avárias pessoas. Desde de uma marketeer especializada em gastronomia e queparticipa no projeto Mulheres com tomates a uma empreendedora que faz sapatos apartir de lixo. E isto é só uma amostra da extensa lista que podia escreveraqui. 

Sentamo-nos todosà volta da mesa e enquanto degustávamos a refeição preparada pela Alessandra,aprendi muitas coisas.

 Aprendi que ositalianos comem massa todos os dias, mas nunca nas quantidades que nós comemos.Levam a sério essa história do primo piatto e secondo piatto. E assim, com amassa, comem também legumes e outros ingredientes que tornam qualquer refeiçãomuito mais saudável. Mas fazem-no com uma arte que quase nos faz desconfiar queseja mesmo saudável. Também é raro comerem massa com carne (exceto a bolonhesa)ou com natas. Massa em Itália quer-se com peixe e vegetais. 

A nossa entradafoi composta por “Caponatina siciliana com burrata em cima de um cracker delievito madre”. Ou seja, uma bolachinha fininha, crocante com uma pasta quelevava legumes, pistachios e queijo e que tão bem nos abriu o apetite e a curiosidadepara o que mais nos esperava. 






O prato principalfoi ravioli com camarões e pistácio com molho creme de limão e gengibre. E eunão sabia que camarão e pistachio podiam tão facilmente distinguir-se aopaladar e tão facilmente criar uma harmonia de sabores que me deixaria a, voltae meia, sonhar e salivar com isto. Era tão bom, tão bom, que quase me fezreclamar desta coisa dos italianos não comerem mais que 6 a 7 raviolis porrefeição. 

Normalmente, souaquela pessoa que odeia fruta em saladas ou qualquer outro prato salgado. Atéter provado a famosa salada siciliana, em que a laranja é a rainha. A rúcula eo creme de sementes e rábano que a acompanhavam, tornaram este prato um deleitepara os olhos e para as minhas papilas gustativas.  


Como se já nãobastasse este rol de elogios e o fato de já todos estarmos quase a rebolar comtoda a comida ingerida, eis que Alessandra nos aparece com um cannolo desconstruído.E já adivinhando alguma resistência, mostrou-nos parte da sua preparação. Istode nos pôr a ver o chocolate a derreter para completar a taça com creme de ricotae casca de laranja é das melhores ações de marketing que já vi. Era impossívelresistir. E ainda bem, ou hoje não conheceria a cremosidade da ricota acontrastar com a bolacha crocante que a acompanhava.

É demasiado bom. 


 Depois disto, malposso esperar para fazer todos e qualquer workshops da Alessandra e estou muitocuriosa com o supperclubque irá acontecer a 11 e 12 de Abril e em que a Alessandra se junta a doischefs para nos mostrarem o melhor de 3 ilhas, Sardenha, Sicília e Cyprus.Alguém me acompanha? 

Para conhecermelhor este espaço e a agenda dos workshops e supperclubs basta seguir as suaspáginas no facebook e noInstagram.






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Março 08, 2019



Gosto que me chamemhistérica. Significa que já tenho voz.

Gosto que medigam que a minha roupa é inapropriada. Significa que já posso escolher o quevisto.

Gosto que mechamem de leviana. Significa que já posso decidir a minha vida sexual.

Gosto que metentem explicar política como se eu fosse muito tontinha. Significa que jáposso votar.

Gosto que tentemaconselhar-me profissionalmente. Significa que já tenho opção de escolha.

Sou uma privilegiadae, por isso, hoje não quero comemorar.

Gosto de todosestes direitos que alguém conquistou por mim e dou por garantidos. Não gosto quandome criticam por gozá-los. Seja para emitir uma opinião que muitos outros privilegiadosnunca vão entender, seja por vestir uma roupa que não se encontra dentro dosmoldes da minha sociedade.

Não gosto quandopercebo que nem todas as mulheres do mundo usufruem destes meus direitos. Nãogosto quando ainda se educam mulheres para se subjugarem à vontade de um homem.Não gosto, como descobri recentemente, que ainda se mutilem genitalmentemeninas, mesmo à frente do nosso nariz, mas nesse mundo distante que são osbairros sociais.

Não gosto que nãose perceba que a violência doméstica é uma questão associada à identidade degénero porque se perpetuam ideias misóginas que levam homens a acreditar empropriedade e honra e outras merdas que os levam aos números que hojeconhecemos.

Durante muitosanos, não gostei que me chamassem feminista porque também eu vivia nessa ignorânciade achar que feministas são aquelas que não aceitam as diferenças biológicas quea natureza nos deu. Hoje, não gosto que me chamem de feminista porque sou uma privilegiadaque não está na linha da frente desta luta.

Não gosto dejantarinhos de mulheres, de receber flores ou que digam que aquele que escolhipara meu parceiro nestes meus direitos, hoje, tenha de cozinhar para mim. Hojenão sou feliz por ser mulher. Sou triste por todas aquelas para quem ser mulheré uma desvantagem.











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