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Rebeubeu, Pardais ao ninho

Rebeubeu, Pardais ao ninho

Junho 25, 2019


Em criança, Rebeubéu dizia que queria ser cantora de ópera. Nunca cantou, nunca tentou cantar, mas achava já que poderia ser, simplesmente, o que lhe apetecesse. O expoente máximo do desafio do trabalho ao talento.
Ainda hoje deseja que assim o seja. Fazer o que lhe apetece. Trabalhar com prazer, comer sem engordar, gastar dinheiro sem o contar.

Sempre foi uma eterna romântica. Ficou muitos anos solteira, não por não acreditar. Por acreditar demasiado. Acreditava nesses amores maiores que se fazem esperar. Ensinara-lho Gabriel Garcia Marques, no livro que tantas vezes leu e releu. Não gostava de Firmino, a personagem principal. Desagradava-lhe a forma como se entretinha de forma fútil e superficial com tantas outras mulheres, mas enternecia-a esse final, o da espera que compensava. O do amor maior.

Talvez essa espera ou talvez as crenças, fizeram de si uma piegas. Uma lamechas. E esse, esse é o seu maior segredo. Como se esse segredo a despisse, vulnerável ao preconceito. 

Talvez essa espera a tenha desnorteado. Talvez tenha sido só a vida a fazê-lo. Chegou aqui sem saber como. Ela, que em miúda, queria cantar ópera e não chegar a adulta. Acima dos 25 anos já todos eram velhos. E hoje, a 342 dias de fazer 40, não acredita, não se revê. Falta-lhe menos de um ano, mas ainda tantos dias. Os suficientes para acreditar que o tempo vai parar e que nunca será tão “velha”, mas será um dia, tudo aquilo que lhe apetecer.

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