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Rebeubeu, Pardais ao ninho

Rebeubeu, Pardais ao ninho

Fevereiro 04, 2020

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Em 2014 soube que havia um site chamado 100 happy days (100 dias felizes em inglês) que desafiava as pessoas a documentar a sua felicidade durante 100 dias seguidos. O processo era simples. Tirava-se uma foto de algo que, de alguma forma, representasse felicidade, publicava-se numa das muitas redes sociais disponíveis, como o Facebook, o Instagram ou o Twitter e identificava-se a iniciativa com o chamado hashtag #100happydays e contavam-se os dias tinham já passado desde que se tinha iniciado a experiência. 

No site podem ler-se todas as instruções e vantagens de fazer isto e, ainda, que 71% dos participantes desiste muito antes de completar os 100 dias. O que me levantou a questão, será a falta de disciplina que impede tantas pessoas de terminarem a tarefa ou será assim tão difícil ser-se feliz durante 100 dias seguidos? Abracei a experiência sem objectivo e sem grandes expectativas, só a vontade de não ser uma estatística.

Durante 100 dias documentei momentos felizes. Momento com amigos, momentos com patos, momentos em que vi paisagens bonitas ou que decorei a casa com algo novo ou que experimentei uma nova receita, muitos momentos, mas mesmo muitos, com a minha cadela.

Não foram 100 dias fáceis. Umas vezes porque me esquecia de tirar a fotografia, outras porque os dias eram difíceis, outros porque sentia que utilizar a cadela para este efeito, era batota.

Percebi que, para este exercício, efectivamente, era necessária disciplina. Não apenas a disciplina de ter o trabalho de tirar a foto e publicá-la, mas a disciplina de procurar a felicidade.

Percebi que ser feliz não é só uma coisa que acontece. É uma coisa que, também, se pode fazer acontecer. Percebi que está nos detalhes. Nem sempre é um dia inteiro, nem sempre é uma coisa óbvia. Pode ser uma coisa tão simples como acender uma vela para um momento mais acolhedor ou permitirmo-nos comer a nossa comida preferida.

Percebi que a felicidade não está nos outros. Ter amigos ou namorado ou trabalho ajuda, mas não é condição necessária, mesmo que, muitas vezes, seja suficiente.

Percebi que um animal doméstico, no meu caso, um cão, pode ser uma imensa fonte de felicidade, por motivos que já se conhecem. Ser feliz por tê-los, por estarem ali devotos de forma incondicional, até pelo facto de dependerem e esperarem por nós, não é batota. É conexão e empatia.

Finalmente, percebi que é possível treinar o cérebro para procurar a oportunidade de ser feliz. Se ao início a coisa exigia algum esforço para encontrar esse pequeno detalhe que me enchia de prazer, com o tempo foi-se tornando mais natural e dei por mim a sentir uma maior apreciação por coisas do dia-a-dia, tantas vezes dadas por garantidas.

No meu caso, estes 100 dias, acabaram por coincidir com uma fase difícil, com alguns problemas que, na altura, não pareciam de fácil nem rápida resolução. Por isso, este compromisso acabou por se revelar ainda mais importante pela capacidade que teve para me manter à tona e positiva. Ainda assim, a grande conclusão foi ter percebido que não são os dias tristes que são perigosos, mas os dias assim-a-assim. Aqueles dias em que nada de importante acontece, em que obedecemos à rotina, entramos em piloto automático e, simplesmente, esquecemo-nos de ser feliz.

Janeiro 03, 2020

 

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Evidências empíricas dizem que há um qualquer entendimento não escrito de que os balanços se fazem antes do final, ainda no ano velho. No ano novo, olha-se para a frente, para as resoluções e para os novos objetivos, mesmo que sejam velhos não atingidos.

 

Se por um lado, verbalizei o meu, único, ontem, por outro e precisamente porque já o tinha delineado muito antes do ano acabar, adiei o conteúdo e deixei o meu balanço do ano de 2019 para hoje, dia 3 de janeiro de 2020. Um bocadinho como aquelas pessoas que comem os chocolates todos antes da dieta. Como se só contasse a partir daquela data específica.

 

 

À partida, 2019 não foi um ano extraordinário, nem espetacularmente bom, nem particularmente mau. Agitado, talvez seja a palavra que melhor o define.

 

Eu, que durante anos e anos trabalhei no mesmo sítio. Que nos primeiros 14 anos da minha experiência profissional, só mudei de trabalho uma vez. Eu, que prezo tanto a rotina, mudei de trabalho 3 vezes. Num único ano. Consegui a proeza de estar uma só semana num deles.

 

Mudar de carreira tem destas coisas. Uma pessoa conforma-se, conforma-se, conforma-se, até que se deixa de conformar.

 

Foi também por deixar de me conformar que, para além do dito trabalho que paga as contas, criei um projeto que não pagando nada, apaga tristezas e muito me aquece o coração. O Primeiro Capítulo, onde se põem pessoas a escrever e a rever, eu incluída.

 

2019 foi o ano em que larguei a CreativeMornings Lisbon. Um projeto onde aprendi muito sobre mim mesma e sobre os outros, mas que já não me servia. Organizar um evento sobre criatividade acaba por ser muito mais sobre organização que criatividade e isso fugia ao meu objetivo. E para alguém muito pouco organizada, como eu, acabava por gerar demasiada frustração. Deixo o projeto com um imenso sentimento de missão cumprida, sobretudo porque o último desafio foi talvez dos mais importantes, deixá-lo nas mãos certas.

 

Apesar de toda esta agitação, no ano que passou li 27 livros. O objetivo eram 30 e confesso que para me aproximar mais do objetivo imposto, conto aqui com dois livros sobre dietas que, não sendo obras literárias, me retiraram espaço às mesmas. É só uma semi-batota. Li 27 livros e fiz grandes descobertas. Uma descoberta cliché do ano, Dulce Maria Cardoso, pela qual estou apaixonada, uma descoberta tardia, José Luis Peixoto com o seu Autobiografia que é delicioso e uma redescoberta, a da poesia, com Filipa Leal. Curiosamente, estas descobertas foram feitas através de uma outra, o podcast Palavra de Autor, no qual me viciei e do qual me encontro em ressaca, à espera de novos episódios.

Descobri muitos outros podcasts, alguns portugueses, outros estrangeiros, mas sobretudo descobri a beleza do aproveitamento do tempo dedicado a tarefas domésticas. Mãos ocupadas, mas cabeça e ouvidos livres para mais aprendizagem.

 

Também vi muitas séries. Neste caso, culpa do namorado que é viciado e não pode perder pitada. Uma boa forma, também, de namorar.

 

No meio disto tudo, ainda perdi 8 quilos que praticamente também consegui recuperar. Se tudo o resto é para continuar, as leituras, os projetos e as aprendizagens, a alimentação é para alterar.

 

No final, se calhar, bem feitas as contas, o ano não foi assim tão mau. Talvez até se possa chamá-lo de extraordinário, com muitas coisas para contar e uma boa rampa de lançamento para um 2020 ainda melhor.

 

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